O estado de Goiás encerrou o ano de 2025 consolidando uma tendência de queda nos crimes violentos contra a mulher, embora o desafio de erradicar o feminicídio permaneça no centro das prioridades da segurança pública. Segundo dados consolidados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-GO), o estado manteve uma das maiores taxas de redução de mortes violentas de mulheres no Brasil na última década, fruto de um ecossistema que une repressão policial e assistência social.

Feminicídio em Goiás – Foto: divulgação
O Cenário Estatístico
Dados do Atlas da Violência 2025 e balanços da SSP indicaram que Goiás obteve uma redução histórica superior a 60% na taxa de homicídios de mulheres por 100 mil habitantes no acumulado dos últimos 11 anos. No primeiro semestre de 2025, os crimes contra mulheres apresentaram nova retração em comparação ao período pré-pandemia e anos anteriores da gestão atual.
Contudo, o governo estadual reconheceu que, embora os crimes patrimoniais e homicídios dolosos em geral tenham caído drasticamente, o feminicídio — crime cometido em razão do gênero, muitas vezes dentro do ambiente doméstico — exige uma “vigilância ininterrupta”, já que os números de 2024 para 2025 mostraram uma estabilidade que o governo busca converter em queda real.
Ações Governamentais: O “Arsenal” contra a Violência
Para combater o ciclo que culmina no feminicídio, o Governo de Goiás implementou e expandiu uma série de medidas integradas em 2025:
1. II Plano Estadual de Enfrentamento à Violência
Lançado para o biênio 2025-2026, o plano estabeleceu metas rígidas para os municípios goianos, integrando as polícias Civil e Militar com as secretarias de assistência social. O foco é a interiorização da proteção, garantindo que mulheres em cidades distantes da capital tenham o mesmo suporte que as moradoras de Goiânia.
2. Programa “Goiás Por Elas” e Autonomia Financeira
Reconhecendo que a dependência financeira é o principal entrave para o rompimento do ciclo de violência, o governo fortaleceu o programa Goiás Por Elas.
Transferência de Renda: Auxílio mensal para mulheres com medidas protetivas. Crédito Social: Repasses de até R$ 5 mil (não reembolsáveis) para que as vítimas iniciem seus próprios negócios após cursos de capacitação.
3. Tecnologia e Pronta Resposta
Aplicativo Mulher Segura: Atualizado em 2025, o app permite o acionamento direto da Polícia Militar e o monitoramento em tempo real de agressores que utilizam tornozeleira eletrônica.
Operação Marias e Operação Chamar: Ações da Polícia Civil focadas no cumprimento de mandados de prisão contra agressores e na fiscalização rigorosa de medidas protetivas.
4. Protocolo “Todos Por Elas”
Iniciativa pioneira que treina funcionários de bares, restaurantes e casas de eventos para identificar situações de risco e acolher mulheres sob ameaça, criando uma rede de “vigilantes sociais” em todo o estado.
O feminicídio não é um crime que se resolve apenas com viatura na rua; ele se resolve com a quebra do silêncio e com o Estado estendendo a mão para que essa mulher tenha para onde ir e como sustentar seus filhos”, declarou o governo durante o balanço do Agosto Lilás 2025.
A grande novidade do final do ano foi a inauguração de novos Centros de Referência da Mulher Brasileira, incluindo a unidade de Águas Lindas de Goiás, reforçando o atendimento no Entorno do Distrito Federal, região historicamente sensível a esses índices.


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