Sensibilizar o doador ainda é um desafio no processo de doação de medula óssea

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Sensibilizar o doador ainda é um desafio no processo de doação de medula óssea

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As chances de um indivíduo encontrar um doador ideal entre irmãos de mesmo pai e mesma mãe é de 25%, enquanto que, entre indivíduos não aparentados, é, em média, de 1 em 100 mil

Doação de medula óssea – Foto: divulgação

Apesar do Brasil ter o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo, ainda faltam doadores porque o cadastro não é atualizado, dificultando encontrar pessoas compatíveis, por isso cerca de 30% dos doadores acabam não sendo localizados. Muitos pacientes aguardam por um transplante, e a baixa taxa de atualização de dados no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) impede que mais vidas sejam salvas, mesmo com o grande número de cadastros.

Na Semana de Mobilização Nacional de Doação de Medula Óssea, comemorada de 14 a 21 de dezembro, o médico hematologista Ferdinando Ribeiro, do Hospital Unique, defende que a principal medida da reverter esta situação é investir em estratégias contínuas de engajamento do doador, e não apenas no momento do cadastro inicial

Segundo o hematologista, isso pode ser feito com campanhas periódicas de atualização cadastral, uso das redes sociais digitais, aplicativos, mensagens automáticas, e-mails e SMS; e maior participação dos hemocentros nesse acompanhamento.

“Além disso, é fundamental reforçar ao doador, desde o início, que manter os dados atualizados é parte essencial do ato de doar, pois a perda de contato pode significar a perda de uma chance de transplante para um paciente. Não adianta ter o cadastro da pessoa, mas não conseguirmos contatá-la quando surgir um paciente compatível”, defende.

Ferdinando Ribeiro lembra que os doadores devem ter consciência do compromisso assumido com o registro. “As campanhas de informação devem sempre reforçar o vínculo do doador com o Redome ao longo do tempo e oferecer apoio adequado quando ocorre a convocação, esclarecendo dúvidas, reduzindo medos e facilitando o acesso ao serviço de saúde”, defende.

O hematologista acredita que o medo também afasta os possíveis doadores. “Há uma crença que para realizar o cadastro tenha a necessidade de coleta de medula óssea. Isso não é verdade. O cadastro é feito nos Hemocentros, com o preenchimento dos dados pessoais do doador e com uma coleta de sangue semelhante à coleta para exames de rotina, não é da medula óssea ou por via cirúrgica”, esclarece.

“Caso ocorra um paciente compatível com determinado doador, este será convocado para a coleta das células da medula óssea. Muitas pessoas acreditam que a doação é sempre cirúrgica, extremamente dolorosa ou de alto risco, o que não corresponde à realidade na maioria dos casos”, completa o hematologista. A medula óssea do doador se recompõe em apenas 15 dias.

Indicações do transplante e chances de cura

A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que ocupa as cavidades dos ossos. E é exatamente na medula óssea que são produzidos os componentes do sangue, como: leucócitos (glóbulos brancos), hemácias (glóbulos vermelhos) e plaquetas.

O hematologista Ferdinando Ribeiro orienta que o transplante de medula óssea é indicado para tratamento de diversas doenças do sangue, as doenças hematológicas; tanto doenças malignas, ou seja, os cânceres hematológicos, como em doenças benignas, não cancerígenas.

“Dentre os cânceres hematológicos que podem ser tratados com o transplante de medula óssea, podemos citar as leucemias agudas, os linfomas, as síndromes mielodisplásicas. Já dentre as doenças não cancerígenas, destacam-se a aplasia de medula óssea, a anemia falciforme, a talassemia grave e algumas imunodeficiências”.

Pessoas em tratamento de doenças relacionadas com a fabricação de células do sangue e com deficiências no sistema imunológico podem ter o transplante como única esperança de cura. As principais são leucemias originárias das células da medula óssea, linfomas, doenças originadas do sistema imune em geral, dos gânglios e do baço, anemias graves adquiridas ou congênitas, dentre outras.

“As chances de cura variam de acordo com o diagnóstico, a idade do paciente, o estadiamento da doença, podendo ser elevadas em algumas situações, especialmente quando o transplante é realizado no momento adequado e em centros especializados”, afirma o médico.

Para que se realize o transplante de medula é necessário haver uma compatibilidade mínima segura entre doador e receptor. Caso contrário, a medula será rejeitada. A análise de compatibilidade é realizada por meio de testes laboratoriais específicos, a partir de amostras de sangue do doador e do receptor, chamados de exames de histocompatibilidade.

Com base nas leis da genética, as chances de um indivíduo encontrar um doador ideal entre irmãos de mesmo pai e mesma mãe é de 25%, enquanto que, entre indivíduos não aparentados, é, em média, de um em 100 mil.

Semana de Mobilização

Diante deste cenário, foi instituída a Semana de Mobilização Nacional de Doação de Medula Óssea, por meio da Lei nº 11.930/2009, com o objetivo de incentivar a doação e capacitar doadores. Nesse período, devem ser desenvolvidas atividades de esclarecimento e incentivo à doação de medula óssea e à captação de doadores.

Em 2025, a campanha é realizada de 14 a 21 de dezembro. Pela proximidade com as celebrações natalinas, a campanha utiliza como slogan, a frase: “Neste Natal, dê um presente a quem precisa de você para viver: cadastre-se como doador de medula”.

As ações, atividades e campanhas publicitárias devem envolver órgãos públicos e entidades privadas a fim de informar e orientar sobre os procedimentos para o cadastro de doadores, a importância da doação de medula óssea para salvar vidas e sobre o armazenamento de dados no Redome.

Para reunir as informações – nome, endereço, resultados de exames, características genéticas – de pessoas que se dispõem a doar medula para o transplante, foi criado, em 1993, o Redome, coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Desta forma, com as informações do receptor que não disponha de doador aparentado, busca-se no Redome um doador cadastrado que seja compatível com ele e, se encontrado, articula-se a doação.

Com mais de 3 milhões e 700 mil doadores cadastrados, o Redome é o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo. Reúne todos os dados dos voluntários à doação para pacientes que não possuem um doador na família. A chance de se identificar um doador compatível, no Brasil, na fase preliminar da busca é de até 88%, e ao final do processo, 64% dos pacientes têm um doador compatível confirmado.

“As pessoas que se prontificam ser doadores de medula óssea devem procurar os Hemocentros para a realização do cadastro e coleta de material. É extremamente importante que esse registro alcance o maior número de doadores possíveis e que este registro se mantenha atualizado”, explica Ferdinando Ribeiro.

Em Goiás, o cadastro de doadores junto ao Redome é realizado no Hemocentro Estadual, onde são coletados cerca de cinco ml de sangue para análise. Para se cadastrar, basta ter entre 18 e 35 anos, boa saúde geral e disponibilidade para doar caso haja compatibilidade. O Hemocentro fica localizado na Avenida Anhanguera, 5195, Setor Coimbra, Goiânia.

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